Dinheiro — , 6 min de leitura
Quanto custa, em dinheiro, um cliente que não aparece
Prefeituras e estudos já mediram o tamanho do buraco que a falta abre. Os números públicos ajudam a calcular o seu.
Para quem atende por horário e quer dimensionar a própria perda
Quem atende por horário conhece a sensação: o cliente marca, você reserva o tempo, prepara a sala, e ele não aparece. O prejuízo parece pequeno porque acontece uma vez por semana — mas quando alguém mede em escala, o número aparece inteiro.
Prefeituras brasileiras passaram a divulgar quanto perdem com pacientes que não comparecem, e os valores dão a dimensão de um problema que, no consultório particular, ninguém contabiliza.
R$ 41 mi
perdidos em um ano em São José dos Campos SP Rio+, 2026
38,6%
de absenteísmo em consultas especializadas no Espírito Santo Saúde em Debate (SciELO), 2019
15% a 30%
do faturamento de clínicas privadas, segundo estimativa de Meets
O que acontece quando uma cidade inteira faz a conta
São José dos Campos somou as faltas de um ano e chegou a um número que a própria prefeitura fez questão de dizer que não é estimativa.
329.064
“Este número de R$ 41 milhões não é estimativa. As faltas são reais.”
- Cirurgias e procedimentos (7.600 ausências)
- R$ 26 mi
- Exames (54 mil faltas)
- R$ 5 mi
- Consultas em unidades básicas (121 mil faltas)
- R$ 4 mi
Fonte: SP Rio+, 2026
O ritmo não caiu no ano seguinte: no primeiro semestre de 2026 foram mais 181.953 faltas, o equivalente a R$ 12,9 milhões.
Não é um caso isolado
Um estudo publicado na revista Saúde em Debate acompanhou mais de um milhão de procedimentos na Região Metropolitana do Espírito Santo, entre 2014 e 2016, e mediu o desperdício.
R$ 18,5 milhões
A maior parte do prejuízo não é fatalidade: é falha de combinação entre quem marca e quem atende.
O mesmo estudo estimou que cerca de 52,4% das faltas seriam evitáveis. Entre as causas levantadas estão esquecimento, falhas de comunicação entre o serviço e o usuário, melhora dos sintomas, horário marcado em período de trabalho e falta de transporte.
Em Cuiabá, 21.908 consultas deixaram de ser realizadas só no primeiro semestre de 2026. A prefeitura aponta um motivo concreto e corriqueiro: cadastro desatualizado, telefone que mudou, ninguém conseguindo confirmar o horário antes.
“Cada vaga perdida representa uma oportunidade de atendimento que deixa de chegar para outra pessoa que aguarda na fila.”
E no consultório particular?
A rede pública mede porque precisa prestar contas. No particular, a conta existe igual — só não aparece em relatório. Uma análise do setor estima a fatia do faturamento que evapora com faltas não avisadas.
15% a 30%
Para quem trabalha sozinho, a conta fica mais fácil de enxergar. Um material voltado a salões de beleza faz a aritmética com duas faltas por semana e ticket médio de R$ 120:
- R$ 240 por semana de horário reservado e não pago;
- R$ 960 por mês;
- R$ 11.520 por ano — de um profissional só.
Fonte: Belio
Esse é o ponto que costuma passar despercebido: a falta não custa o preço de um atendimento. Ela custa o preço de um atendimento multiplicado por quantas vezes ela se repete no ano.
Faça a sua conta
Pegue o seu ticket médio, multiplique pelo número de faltas que você teve no último mês e depois por doze. O resultado é quanto a sua agenda perde por ano sem que ninguém emita uma nota. Se o número incomodar, ele é exatamente o tamanho do problema que vale a pena resolver.
A parte boa é que, como mostrou o estudo do Espírito Santo, a maioria dessas faltas é evitável. O que muda o jogo é o horário deixar de ser uma promessa e passar a ser um compromisso — com confirmação antes e com o pagamento resolvido no momento de marcar.
Quem atende por horário conhece a sensação: o cliente marca, você reserva o tempo, prepara a sala, e ele não aparece. O prejuízo parece pequeno porque acontece uma vez por semana — mas quando alguém mede em escala, o número aparece inteiro.
Prefeituras brasileiras passaram a divulgar quanto perdem com pacientes que não comparecem, e os valores dão a dimensão de um problema que, no consultório particular, ninguém contabiliza.
R$ 41 mi
38,6%
15% a 30%
O que acontece quando uma cidade inteira faz a conta
São José dos Campos somou as faltas de um ano e chegou a um número que a própria prefeitura fez questão de dizer que não é estimativa.
- Cirurgias e procedimentos (7.600 ausências)
- R$ 26 mi
- Exames (54 mil faltas)
- R$ 5 mi
- Consultas em unidades básicas (121 mil faltas)
- R$ 4 mi
Fonte: SP Rio+, 2026
O ritmo não caiu no ano seguinte: no primeiro semestre de 2026 foram mais 181.953 faltas, o equivalente a R$ 12,9 milhões.
Não é um caso isolado
Um estudo publicado na revista Saúde em Debate acompanhou mais de um milhão de procedimentos na Região Metropolitana do Espírito Santo, entre 2014 e 2016, e mediu o desperdício.
A maior parte do prejuízo não é fatalidade: é falha de combinação entre quem marca e quem atende.
O mesmo estudo estimou que cerca de 52,4% das faltas seriam evitáveis. Entre as causas levantadas estão esquecimento, falhas de comunicação entre o serviço e o usuário, melhora dos sintomas, horário marcado em período de trabalho e falta de transporte.
Em Cuiabá, 21.908 consultas deixaram de ser realizadas só no primeiro semestre de 2026. A prefeitura aponta um motivo concreto e corriqueiro: cadastro desatualizado, telefone que mudou, ninguém conseguindo confirmar o horário antes.
E no consultório particular?
A rede pública mede porque precisa prestar contas. No particular, a conta existe igual — só não aparece em relatório. Uma análise do setor estima a fatia do faturamento que evapora com faltas não avisadas.
Para quem trabalha sozinho, a conta fica mais fácil de enxergar. Um material voltado a salões de beleza faz a aritmética com duas faltas por semana e ticket médio de R$ 120:
- R$ 240 por semana de horário reservado e não pago;
- R$ 960 por mês;
- R$ 11.520 por ano — de um profissional só.
Fonte: Belio
Esse é o ponto que costuma passar despercebido: a falta não custa o preço de um atendimento. Ela custa o preço de um atendimento multiplicado por quantas vezes ela se repete no ano.
15% a 30%
Faça a sua conta
Pegue o seu ticket médio, multiplique pelo número de faltas que você teve no último mês e depois por doze. O resultado é quanto a sua agenda perde por ano sem que ninguém emita uma nota. Se o número incomodar, ele é exatamente o tamanho do problema que vale a pena resolver.
A parte boa é que, como mostrou o estudo do Espírito Santo, a maioria dessas faltas é evitável. O que muda o jogo é o horário deixar de ser uma promessa e passar a ser um compromisso — com confirmação antes e com o pagamento resolvido no momento de marcar.
Fontes
Todos os números e citações deste texto vêm das publicações abaixo. Nada foi estimado por nós.
- 1Após R$ 41 milhões em perdas, São José suspenderá cadastro de paciente que faltar atendimento sem aviso — SP Rio+, 2026
- 2SJC lança campanha contra faltas em consultas, exames e cirurgias — O Vale / Sampi, 2026
- 3Absenteísmo de usuários como fator de desperdício: desafio para sustentabilidade em sistema universal de saúde — Saúde em Debate (SciELO), 2019
- 4O custo invisível do no-show: quanto sua clínica perde por mês com faltas não avisadas — Meets
- 5Como reduzir no-shows em salão de beleza — Belio
- 6Mais de 21 mil consultas deixam de ser realizadas em Cuiabá; prefeitura reforça importância da atualização do cartão SUS — MidiaNews, 2026